sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

9 de novembro de 2016


Nina,

Hoje, por volta das 15h, a mamãe soube que você nasceria no dia 10 de novembro de 2016,  por volta das 8h30, Já faz dez dias que estamos no HC, para acompanhar os últimos dias de gestação. Cada dia era um dia, esperando exames e os controles para saber quando seria o melhor momento para você nascer. E chegou!
Essa é a última noite que você passará dentro de mim, em breve, você será um ser autônomo. Respirará só, manifestará seu humor e, finalmente, veremos seus rostinho.
Estou ansiosa para te ver, te abraçar e te conhecer. Escrevo para me despedir da barriga, foram quase 38 semanas juntas, compartilhando o alimento, o corpo e a vida.
Você nascerá numa família que te ama e te deseja muito. Você conhecerá o sol e o frio, você estreiará num mundo que ficará mais doce com sua presença. É estranho me despedir da barriga, tirei uma última foto, você a verá um dia. Amanhã, a essa hora, já terei re conhecido, são 20:40.
Mamãe te ama, desde o dia 16.03.2016, quando fiz o teste.

Até amanhã, filha.
Te amo!





A última foto!

quarta-feira, 30 de novembro de 2016

20 dias de Nina

29 de novembro de 2016

Bernardo: Mamãe, eu não preciso dormir de fralda hoje, já sou um homenzinho!
Eu: Tudo bem filho, se você não quer, você não vai usar…


30 de novembro de 2016

4:30 da manhã:
Nina: chorando
Eu: (enfiando o peito na boca dela) Rô, leva o Bê no banheiro.
Rô: (morrendo de sono) Bê, vamos fazer xixi.
Bê: (dormindo) - Apenas faz o xixi.

Hoje, acordei pensando nessa situação. Eu pensei que o Bernardo ia regredir, ia ficar choroso e manhoso, de fato, ele está mais manhoso, pede “colinho”, está chorando para ir para a escola e está muito apegado com a avó. Contudo, ele me surpreendeu, ontem. Nós não fizemos aquele desfralde que fica em cima da criança, levando no banheiro toda hora, a criança faz xixi na roupa, prende o cocô ou não utiliza o penico.
Nós resolvemos que ia ser conforme a demanda dele (isso foi escolha nossa, não é correto e nem errado: cada um, cada um.), compramos um penico e ele não gostou. Compramos outro que ele escolheu, depois passamos a usar o adaptador para vaso sanitário - então tiramos a fralda do dia com mais de três anos. À noite, ele continuou usando fralda até ontem, o dia que ele resolveu que não precisaria mais, ele já é grande.
Então, me dei conta, hoje, 30 de novembro, faz 20 dias que a Nina está conosco. Faz 20 dias que o Bê se tornou o irmão mais velho. Faz 20 dias que eu e o Rô nos tornarmos pais de duas crianças, faz 20 dias em que não “revezamos” cuidados, pois temos dois para cuidar, logo, sempre haverá o que fazer. Dois banhos. Dois mamás. Duas trouxas de roupas para lavar e passar. Duas crianças para vestir. Duas crianças para nos preocupar. Duas crianças para amar.
Mas, esses 20 dias são mais do que “mais um filho”, não é apenas uma mudança. É a mudança na minha maternidade, na paternidade do Rô, na minha relação com o Bernardo e com o Rodrigo, na relação dos dois comigo, e entre eles. Na minha mudança comigo, na do Rô com ele mesmo e do Bernardo com ele próprio. É muito além de “mais um filho”. Somos novas pessoas. Temos, em tão pouco tempo, novos hábitos.
O Bernardo adicionou novas falas às manhãs dele: “Bom dia, mamãe, a Nina está bem?”, ou quando ele chega da escola e dá um carinho na irmã - que mama no peito. Ou o fato de ele encarar que cresceu, e isso é doído. Ele cresceu, deixou a fralda, em  breve, deixará o mamá (sim, somos moles e não “tiramos” nada dele, a não ser que ele esteja preparado para isso). Ele não quer mais ficar “apenas” com a mamãe e com o papai,  quer ficar com o avô, andar de carro com a vovó. Vai para igreja com os avós, vai para a praia com os avós. Sim, a dependência total de seus pais não existe mais, ele, agora, é o irmão mais velho e está aproveitando tudo o que esses anos a mais proporcionam para ele: escolher, amadurecer e dar passos cada vez mais longe dos nós.

Olho a Nina e vejo o quanto esses dias foram transformadores para nós, ela nos trouxe muito amor, mas nos trouxe amadurecimento e novas relações familiares, para todos nós, principalmente, para o pequeno Bê, que, agora, não é mais tão pequeno.

Amor, define. 

quinta-feira, 17 de novembro de 2016

Por que eu sou feminista? Te conto...


Ao me perguntarem porque sou feminista, respondo: Imagine que a vida é uma maratona e que tem um monte de regras, obstáculos e pessoas te segurando para que você não complete a maratona ou para te deixar bem atrás - em todos os aspectos. Isso é o machismo em relação à mulher: ela deve estar sempre atrás: nos direitos, nas oportunidades, na política, nas lideranças e na sua autonomia.


Olhe essa foto:







Se trata de Kathrine Switzer na maratona de Boston de 1967, vários homens tentaram detê-la para que não terminasse a prova. Ela foi a primeira mulher a terminar essa maratona.

Assim, diariamente, várias mulheres vencem maratonas, às quais antes eram impedidas. Isso é feminismo!

quinta-feira, 10 de novembro de 2016

A importância social da Lei Maria da Penha

Em 7 de agosto de 2016, a Lei nº 11.340, mais conhecida como Lei Maria da Penha, completou dez anos. À época da aprovação da lei muito se discutiu sobre a necessidade dessa lei, pois no código penal havia dispositivos para punir possíveis agressores domésticos. Contudo, a lei tornou-se um marco na luta contra violência doméstica, foi muito comemorada e deu continuidade à luta de muitas mulheres e mães que se viram em situação de abuso ou de violência familiar.

        Maria da Penha se levantou como uma voz militante, após sofrer uma série de violências por parte do marido. Duas tentativas de assassinato, uma delas  a deixou paraplégica, por causa de um tiro, uma série de violência físicas - como eletrochoques e tentativas de afogamento - e psicológicas. Após 19 anos de julgamento seu marido ficou dois anos preso em regime fechado. Pela insistência no processo e pela defesa das mulheres em todos espaços públicos possíveis, os autores da lei a homenagearam colocando o nome dela para identificar a lei e lembrar sempre da sua luta.
        É mister esclarecer a aplicabilidade da Lei e desfazer mal entendidos e preconceitos que esta possa gerar. A Lei Maria da Penha traz um diferencial social, ela, escrita e apresentada da forma como foi aprovada, trouxe para milhares de mulheres ferramentas para denúncia e busca por proteção contra maus tratos. Além de se tornar mais próxima da realidade das mulheres afetadas pela violência doméstica, a lei tipifica alguns crimes que no imaginário popular nem sempre são encarados como violência - por isso, além da importância jurídica, essa lei tem uma grande importância social.
        Além da violência física e sexual que, embora subnotificada, é o maior teor das denúncias, a lei tipifica outras atitudes que são violentas e podem causar muitos danos psicológicos - há um número significativo de mulheres que cometem suicídio por causa de violência psicológica sofrida em seus lares.
A partir da lei, as medidas cautelares de afastamento do agressor devem ser expedidas em até 48h,  além de tipificar os tipos de violência doméstica, proibir o pagamento de multas para os agressores, aumenta a pena de um para até três anos de detenção para os agressores, além de viabilizar o atendimento das vítimas, e demais dependentes, em programas de proteção e de assistência social.
Nós, como igreja, devemos entender a realidade dessas mulheres e ajudá-las a se protegerem por intermédio dessa lei. Quando cremos que o casamento é uma tipificação da relação de Jesus com sua igreja, não cabe violência, qualquer que seja, e desrespeito dentro dos lares. Será que temos falado das outras formas de violência que podem ocorrer dentro dos relacionamentos familiares, para além da violência física?
Assim, faz-se necessário conhecermos e falarmos em nossas igrejas todas as formas de violência que têm destruído as famílias. No capítulo II: DAS FORMAS DE VIOLÊNCIA DOMÉSTICA E FAMILIAR CONTRA A MULHER, estão tipificados os tipos de violência passíveis de punição. Vejamos:
1.    Violência física: qualquer atentado contra a integridade ou saúde corporal;
2.    Violência psicológica: qualquer atitude que cause dano emocional ou diminuição de autoestima. Tentativa de controle das ações, crenças e decisões mediante ameaça. Humilhação, constrangimento, ameaça, manipulação, isolamento, vigilância constante, perseguição contumaz, insulto, chantagem, ridicularização, exploração e limitação do direito de ir e vir ou qualquer outra atitude que cause prejuízo à saúde psicológica e à autodeterminação.
3.    Violência sexual: manter qualquer tipo de relação sexual sem consentimento, mediante intimidação, ameaça, coação ou uso da força; aliciar mulheres para comercialização da sexualidade forçada; impedir de usar métodos anticoncepcionais, obrigar a mulher a fazer aborto, obrigar ao matrimônio, obrigar à gravidez ou à prostituição mediante ameaça, chantagem , suborno ou manipulação.
4.    Violência patrimonial: reter, subtrair, destruir parcial ou totalmente os objetos, instrumentos de trabalho, documentos pessoais, bens, valores e direitos ou recursos econômicos, incluindo os destinados a satisfazer as suas necessidades básicas.
5.    Violência moral: caluniar, difamar ou praticar injúria contra uma mulher.
São dez anos de lei, mas, infelizmente, os crimes continuam subnotificados. Falar desse assunto em nossas igrejas, não é falar de política ou de mera militância. Precisamos falar disso, e urgentemente, pois muitas famílias sofrem com a violência. A violência, se identificada no início, pode ser evitada e as famílias orientadas da maneira correta. Muitos homicídios, ditos “passionais”, foram o ápice de pequenas violências diárias, como as descritas acima.
Devemos nos perguntar: Jesus estaria feliz com a realidade que as mulheres das nossas igrejas têm vivido em seus lares?
Por fim, há uma estatística muito triste fornecida pelo Disque 180 (o telefone para denúncia da violência doméstica), na qual 77,83% das vítimas possuem filhos(as) e que 80,42% desses(as) filhos(as) presenciaram ou sofreram a violência. A família está no coração de Deus, não podemos permitir que nossas crianças cresçam num ambiente de violência. Sim, a igreja está na sociedade e, por tal motivo, esses números nos dizem respeito! Existem mulheres, e crianças, nessa situação dentro das nossas igrejas. Que Deus nos encoraje a lutarmos por um mundo mais justo, baseado nos valores do Reino: Paz, Justiça e Amor!


quinta-feira, 3 de novembro de 2016

Missão Integral: vamos ensiná-la aos nossos Jovens?

Como qualquer membro que cresceu em uma igreja, sempre vi a ação diaconal como uma atividade das Sociedades de Senhoras e da Mesa Diaconal. Não era próxima a mim a realidade de uma missão que, para falar de Jesus, prestasse auxílio social aos necessitados. O fato é que cresci e aos 30 anos não vi quando essa responsabilidade passou a ser minha. Afinal, ainda devo esperar que apenas a Sociedade de Senhoras ou a Mesa Diaconal se dediquem à ação social?
Nos meus últimos anos tive o privilégio de trabalhar com adolescentes e conversar com eles sobre a importância da ação social na Igreja. Nós temos uma importância social que é a militância contínua contra as injustiças sociais e as lacunas deixadas pelo poder público e demais responsáveis. Não se trata de assistencialismo barato, mas de exercer o dever que Jesus nos deixou de repartir o pão, a túnica e praticar a hospitalidade (muitos, sem saberem, hospedaram anjos em seus lares!) Devemos praticar, no âmbito comunitário, os valores do Reino de Deus: o amor e a justiça!
Nesse ano de 2015, tive a oportunidade de trabalhar com os adolescentes da IPI do Jardim Novo Osasco, Presbitério Novo Osasco, em conjunto com a Ministério de Ação Social e Diaconia, sobre a importância de acolhermos os refugiados Cristãos que têm chegado ao Brasil em decorrência das guerras e perseguições no mundo todo. Durante os meses de Outubro, Novembro e Dezembro coletamos itens de higiene para os refugiados acolhidos no  Centro de Referência de Atendimento ao Imigrante de São Paulo - Serviço Franciscano de Solidariedade. A campanha de doação aconteceu, principalmente, no mês em que celebramos o nosso Culto das Primícias- ocorrido no último domingo de novembro.
Além de contar com as doações dos Irmãos, os adolescentes saíram pelas ruas do bairro pedindo doações para os moradores e os convidando para o nosso culto das Primícias - praticando a ação social e a evangelização no nosso bairro.
No dia 28 de dezembro de 2015, entregamos os itens de higiene e alguns brinquedos no SEFRAS e pudemos, com a Graça de Deus, ouvir a história de muitos cristãos que deixaram suas casas e famílias para morar aqui no Brasil. Há a ausência de Igrejas que os acolham, de pessoas que falem seus idiomas e estejam dispostos a compartilhar a palavra de Deus, orar e ouvir. Saímos fortemente tocados pelos testemunhos e cada um deles (Haitianos, Africanos, Bolivianos, Peruanos, etc…) estão em nossas orações!

Aproveito esse espaço, também, para sensibilizá-los quanto à necessidade de produtos de higiene que abrigos, orfanatos, instituições que recebem imigrantes, etc, têm. Há falta de fraldas, sabonetes, xampus, pastas de dente, dentre outros. São itens básicos, às vezes baratos, e extremamente necessários! Que Deus nos abençoe!


quinta-feira, 27 de outubro de 2016

Nina está chegando!

Nina, filha querida,

Seminário Teologia e Gênero, Porto Alegre
Estou com quase 36 semanas de gestação, nos próximos dias você estará em meus braços - e estou muito ansiosa por isso! Estar grávida de uma menina foi motivador, foi lindo e intenso! Você e seu irmão, o Bê, são as preciosidades da minha vida, por vocês tento fazer desse mundo um mundo melhor e mais humano! Você perceberá que somos cristãos, e somos muito felizes por isso, assim, lutamos para que esse mundo seja cada dia mais parecido com o Reino dos Céus - onde haja justiça, amor e paz! Sim, nós acreditamos que os princípios do Evangelho nos impelem a lutarmos por um mundo melhor, temos esse dever.
Contudo, nessa carta, não falarei da nossa religião e nem de nossos princípios morais de vida, teremos uma vida para conversarmos sobre isso. Gostaria de falar da experiência de estar grávida, antes que eu esqueça os detalhes. Estar grávida é estar no ápice da cobrança do que a sociedade deseja para nós: “a proteção do lar”. Uma mulher grávida andando na rua ou fazendo qualquer atividade que não seja ir ao médico ou comprar roupas de bebê é motivo para questionamento. Se você entrar numa loja de fast food, então, meio mundo irá te falar: “você não deveria comer isso”- quando ninguém deveria comer esse tipo de comida. Pois é, parece que o corpo da mulher grávida é propriedade de todos, mais do que o corpo feminino que, infelizmente, é tratado como propriedade do Estado, da Igreja e dos homens.
Fé e participação política, FATIPI
Por isso, estar grávida de uma menina foi intenso, pois me deu mais energia para lutar contra esses princípios que limitam a mulher ao espaço privado e delimitam as possibilidades que uma mulher possa viver (espero que quando você tiver idade para ler isso o mundo esteja muito melhor para nós, mulheres).
Mamãe, nesse período de gravidez , respeitou unicamente os limites do corpo. Sim, as indisposições são constantes, cuidados com o pré-natal (que é garantido por lei e deve ser feito com respeito!!!), exames ou a dificuldade de locomoção - com o avançar das semanas e peso do barrigão. No mais, fiz questão de me fazer presente no espaço público, por mais que isso incomode e desafie a ideia da mãe que se dedica única, e exclusivamente , à maternidade: a mulher que abre mão da carreira, dos sonhos, da vida pela maternidade. Filha, essa foi minha escolha e fiz isso porque me senti bem. Luto para que mulheres possam escolher entre dedicarem-se somente à maternidade, ou se dedicarem apenas à vida profissional, ou serem mães e profissionais. Sim, isso deve ser uma escolha sua e de todas as mulheres, não de preconceitos e regras sociais que não pensam no bem da mamãe ou do bebê, mas em manter o status quo: mãe boa, é mãe que cuida dos filhos e só.
Assim, tive oportunidade de cursar o mestrado e também a oportunidade de trancá-lo quando achei necessário, para poder cuidar de nós duas, e voltar quando você estiver grandinha. Tive a oportunidade de trabalhar e me afastar quando houve necessidade. É disso que falo, cada mulher deve avaliar a sua condição e o que será melhor para ela e para o seu bebê (lembrando que estou relatando sobre minhas escolhas, tudo bem se você seguir por outros caminhos que não esses.)
Nesse balanço de finalzinho de gravidez, tive necessidade de te escrever para te contar coisas muito legais que fizemos juntas, mesmo sem você saber. Escolhi quatro, que tiveram muita importância para mim:
Assembleia AIPRAL
-Em 15 de maio, aos 3 meses, você acompanhou a mamãe num evento muito bom sobre Teologia e Gênero. Mamãe ouviu e foi ouvida sobre a situação da mulher nas igrejas, como somos objetificadas, silenciadas e impedidas de ministrar a palavra e dirigir as instituições que participamos - foi maravilhoso. Mamãe ainda não sabia que era Nina, mas você estava lá, querida companheira.
-Em 22 de junho, aos quatro meses, mamãe foi convidada para falar sobre o machismo dentro da Igreja no Seminário Teológico da Igreja Presbiteriana Independente do Brasil, no Encontro de diálogo, fé e participação política. Foi ótimo poder falar sobre os erros e acertos da nossa igreja em relação às mulheres; falar do dever da igreja de militar contra a violência contra a mulher e deixar de ser reprodutora do machismo. O barrigão crescia, e estávamos lá, ativas!
-De 8 à 14 de agosto, aos 7 meses, mamãe representou a IPI na Assembleia da Aliança de Igrejas Reformadas da América Latina. Foi, mais uma vez, ótimo poder trocar ideias com nossas irmãs da América Latina e da Mesoamérica. Todas nós sofremos com o capitalismo, com a falta de recursos para as mulheres e crianças mais pobres. Enfrentamos o machismo nas igrejas, enfrentamos a falta de oportunidades para sermos ministras do evangelho e assumirmos cargos de lideranças em nossas igrejas, sim, nossas irmãs latinas sofrem o mesmo que nós e, às vezes, infelizmente, nós brasileiras não nos damos conta disso e damos tão pouco a mão para elas. E você estava lá, chutando a barriga da mamãe, participando a seu modo de uma experiência enriquecedora!
Congresso da ANPOCS
-No dia 26 de outubro, aos quase 9 meses, a mamãe apresentou a pesquisa que ela desenvolve no mestrado no maior congresso de Ciências Sociais do Brasil - ANPOCS. Foi ótimo e enriquecedor poder trocar experiências com outros pesquisadores. Sabe filha, a academia tem um grave problema: para as mulheres se darem bem, elas têm que se masculinizar. Nada de ter filhos, nada de ser feminina demais, tem que ser “durona”. Estar em um congresso, das proporções como a ANPOCS, grávida é uma resistência, e das brabas. Ter filhos significa não se dedicar totalmente à pesquisa - mas isso serve só para as mulheres tá? Homens com filhos não são cobrados da mesma maneira. Muitos professores doutores se recusam a orientar mulheres com filhos, assim como estudantes mais pobres que precisam trabalhar, ou coisa do gênero. Sim, filha, a mamãe escolheu ter você e o seu irmão. Vocês são amados e muito, muito desejados. E,sim, a mamãe escolheu ter uma carreira acadêmica e pública, uma coisa não exclui a outra. E todas nós, as “famigeradas feministas”, lutamos por isso, para que você e todas as mulheres do mundo possam escolher, também.

Mamãe te ama muito, espero que aos 30 anos você possa falar de outras conquistas para a sua filha, por enquanto nós temos avançado muito, resistido também, para que você viva a vida que você quiser, não que lhe permitirem.





Com amor, mamãe.

sexta-feira, 7 de outubro de 2016

Por que ainda temos filhos?

Bê, no dia do nascimento
No dia 7 de outubro de 2012, nascia aquele que mudaria a minha vida, mudaria  minha relação com meus pais e com Deus. Aprendi muito sobre amor, obediência e salvação, depois que fui mãe. Aprendi, também, sobre medo; insegurança; não suportar o sofrimento de outra pessoa e de amar alguém mais que a mim mesma. Aprendi sobre dedicação; sobre responsabilidade; educação; alimentação adequada; a dizer não e a deixar alguém decidir a rotina do meu sábado. A dividir a cama com mais alguém, além do meu marido  - e ficar muito feliz com chutes noturnos! Aprendi sobre riso; sobre enxergar girafas em nuvens; a procurar jacarés no pantanal; dar ração para peixes em São Roque; alimentar búfalos e amar dinossauros. Aprendi, e reaprendi, todas as músicas infantis e os nomes de desenhos estranhos (como Bubble Guppies, Super Wings, Floogals, Miss Moon, etc).
Aprendi, também, a não ir ao cinema quando quero; a não fazer aquela viagem a dois para Monte Verde; a não comprar metade da Cosac Naif nas promoções de 50% off; a não sobrar dinheiro no final do mês; a usar o cartão de crédito para comprar antibiótico; a pagar uma fortuna de Convênio Médico. Abri uma previdência para ele; comprei todos os alimentos necessários - não me importando com o preço deles; coloquei R$ 100 de crédito no cartão da PlayLand; andei 3 vezes seguidas no carrossel (e isso não é legal, te garanto); gastei muito dinheiro com as festas de aniversário; contratei contador de história (uma fortuna por meia hora); usei roupa com vestígios escatológicos; não prestei atenção em filmes e cultos; reli 30 vezes o mesmo parágrafo; atrasei relatórios acadêmicos;  preparei palestras na véspera do evento e adivinhem só: estou a um mês de passar por tudo isso de novo!
Estava refletindo sobre os quatro anos do pequeno Bê (que em breve será grande) e pensei: por que eu e o Rodrigo decidimos ter outro filho? Num mundo de tragédias, de tanta incerteza e insegurança, com tudo tão caro e o salário tão curto. Para nós, mulheres, de abrir mão de tanta coisa e ser julgada por qualquer atitude materna. Em meio essa reflexão, conclui que Deus foi muito generoso ao me permitir ser mãe - quem já leu os outros textos do aniversário do Bê conhece, deixarei os links no final do texto para quem quiser conhecer o milagre -  e que essa experiência fez de mim uma pessoa melhor, mais feliz e mais humana. Ter o Bê me fez querer lutar por um mundo melhor e mais justo. O Bê me fez entender o amor de Deus para conosco e o quão sofrido deve ter sido abrir mão de Jesus Cristo por conta dos nossos pecados. O Bê me transformou, e muito.

Contudo, a pergunta ainda está no ar: por que ainda temos filhos? Estava navegando no facebook e me deparei com esse quadrinho:    

embora vivamos num mundo em que pareça difícil, em que os olhos e o coração nos façam sofrer, são eles que dão forças para as nossas pernas andarem e para a nossa boca falar. E pensei, é isso! Esperamos a Nina, porque queremos aprender mais de amor, propiciar para o Bê a experiência de construir uma relação fraternal, queremos dar menos importância para o ter e mais para o amar.  O texto é de gratidão pelos quatro anos do Bê, por todas as bênçãos que Deus nos proporcionou e, também, pela vida da Nina que está por vir.

Bê e Nina,
Bê hoje, aos 4 anos
Bê, pensamos em você quando decidimos ter a Nina, mas não apenas em você, filho. Pensamos em todos, pois acreditamos que podemos criar seres humanos melhores, com amor a Deus e ao próximo. O meu desejo, no seu quarto ano de vida, é que você e sua irmã sejam companheiros na vida e na luta.
Nina, em breve você, filha querida, será o nosso presente, que aumentará o nosso amor e bagunçará as nossas vidas, e a do Bê também!
Que vocês lutem por um mundo melhor e mais justo.
Façam mais que a mamãe e o papai!

Amor eterno,
Mamãe.

Ps: Quando vocês forem grandes e lerem isso, gostaria que vocês lessem, também, a oração de São Francisco de Assis, um exemplo para nós cristãos!

Senhor, fazei-me instrumento de vossa paz.
Onde houver ódio, que eu leve o amor;
Onde houver ofensa, que eu leve o perdão;
Onde houver discórdia, que eu leve a união;
Onde houver dúvida, que eu leve a fé;
Onde houver erro, que eu leve a verdade;
Onde houver desespero, que eu leve a esperança;
Onde houver tristeza, que eu leve a alegria;
Onde houver trevas, que eu leve a luz.
Ó Mestre, Fazei que eu procure mais
Consolar, que ser consolado;
compreender, que ser compreendido;
amar, que ser amado.
Pois é dando que se recebe,
é perdoando que se é perdoado,
e é morrendo que se vive para a vida eterna.
- São Francisco de Assis

Links para os outros textos de aniversário do Bê:

Texto 1 ano

Texto 2 anos


Texto 3 anos