sábado, 18 de fevereiro de 2017

100 dias da Nina


Em 17 de fevereiro de 2017, Nina fez 100 dias e eu poderia falar muita coisa sobre a plenitude da maternidade e da felicidade que vivi nesses últimos 100 dias. Contudo, resolvi fazer uma wish list com 100 desejos para vida da Nina (e para todas as meninas do mundo)!!!

  1. Que continue mamando por muitooo tempo
  2. Que encontre, verdadeiramente,  o Deus de amor!
  3. Que seja sempre a melhor amiga do seu irmão e sua companheira para a vida (e vice versa)
  4. Que odeie rosa (hahaha)
  5. Que ame Nina Simone <3
  6. Tenha sua infância respeitada
  7. Tenha seu corpo respeitado
  8. Tenha suas escolhas respeitadas
  9. Que ganhe o mesmo salário que um homem na mesma função
  10. Que NUNCA interrompam, ou desqualifiquem, a sua fala e a sua opinião
  11. Que tenha saúde  pública de qualidade
  12. Que tenha educação pública de qualidade
  13. Que viaje muito
  14. Que escolha a profissão que quiser
  15. Que seja dedicada aos estudos
  16. Que entenda que tudo o que recebeu na vida é para melhorar a vida dos próximo - se todos pensarem assim, viveremos num mundo bem melhor
  17. Que goste de ler
  18. Que goste de Ler a Bíblia
  19. Que NUNCA seja comparada com ninguém, nem para ser menosprezada e muito menos para menosprezar o outro
  20. Que ame muito, muito, muito - e isso não se aplica somente a namorados
  21. Que tenha muitos amigos
  22. Que seja prestativa
  23. Que encontre pessoas prestativas sempre que precisar
  24. Que cumprimente o gari e o porteiro
  25. Que divida seu pacote de bolachas
  26. Se escolher a maternidade, que possa vivê-la de forma plena e respeitada - que NUNCA sofra violência obstétrica
  27. Que tenha uma boa/bom ginecologista
  28. Que nunca perca a chave na bolsa (isso é realmente um saco)
  29. Que suas características físicas, psicológicas e sentimentais nunca sejam motivo de preconceito, chacota ou Bullyng
  30. Que tenha um bom Professor de História e de Sociologia
  31. Que conheça Paraty/RJ (providenciaremos isso, hahaha)
  32. Que se lambuze com o bolo do Smash the Cake  - PLEASE
  33. Que tenha muitas coisas de patch work - sim, são fofas e eu amo
  34. Que NUNCA, NUNCA, NUNQUINHA sofra violência física, psicológica ou sentimental por conta do machismo
  35. que não tenha relacionamentos abusivos (qualquer que seja)
  36. Que tenha um cheiro que lembre coisas boas (pode ser de café, de pão de queijo ou de terra molhada, por exemplo)
  37. Que curta muito os avós
  38. Que tenha muitos primos (valem os filhos dos meus primos também, ok?)
  39. Que fique feliz em datas comemorativas (sim, eu amo todas e acho que todos deveriam amar!)
  40. Que sempre faça viagens nos feriados de 15 de novembro para comemorar o seu aniversário
  41. Que tenha alguma música que a faça chorar
  42. Que tenha alguma música que a faça sorrir
  43. Que sofra quando tenha que sofrer - para passar pelas fases ruins e seguir adiante
  44. Que encare os desafios
  45. Que tenha um bichinho de estimação, sempre
  46. Que cante, muito!
  47. Que tenha um hobby
  48. Que não seja uma acumuladora de coisas desnecessárias
  49. Que tenha muitas dúvidas, elas garantirão que não seja uma pessoa arrogante
  50. Que conheça o nordeste brasileiro
  51. Que lute por uma causa e tenha ideais
  52. Que aprecie manifestações culturais - quaisquer que sejam  
  53. Que apoie a lutas das mulheres que vieram antes de nós e que lute pelas próximas gerações
  54. Que entenda que as pessoas estão vulnerabilizadas porque alguém se omitiu, e que nunca seja ela
  55. Que tenha uma roupa velha e gostosa para passar um final de tarde tomando café com bolachas
  56. Que tenha mão boa para cuidar de plantas
  57. Que não procrastine, nunca
  58. Que seja pontual
  59. Que goste de conversar com Idosos
  60. E que ame as crianças, também
  61. Que conheça bem o seu corpo e a si mesma
  62. Que sempre lembre de onde veio e nunca tenha vergonha dos seus
  63. Que ande de mãos dadas com seu pai, comigo e com seu irmão até o final de nossas vidas.
  64. Que beije as pessoas
  65. Que abrace e seja abraçada (muito mesmo!)
  66. Que tenha lembranças únicas de seus avós, alguma coisa que seja só dela com cada um deles
  67. Que tenha a paciência de ver uma borboleta sair do casulo
  68. Que leve a vida com tanta leveza a ponto de ser livre
  69. Que seja forte e obstinada quanto aos seus objetivos de vida
  70. Que seja altiva e nunca abaixe a cabeça para um acusador
  71. Que aprenda a andar de bicicleta
  72. Que saiba fazer bolos
  73. Que tenha projetos só dela (e que ninguém precise saber deles)
  74. Que encontre alguém para dividir a vida, um verdadeiro amor
  75. Que seja condescendente consigo
  76. Que seja paciente e tolerante com o próximo
  77. Que não se cale diante de uma injustiça
  78. Que tenha prazer de estar só, de conviver consigo mesma
  79. Que vá ao cinema sozinha
  80. Que possa viajar sozinha em segurança
  81. Que possa morar próximo do trabalho, da faculdade e que tenha acesso fácil ao lazer
  82. Que ame ciências (todas elas)
  83. Que goste de uma boa conversa
  84. Que seja corajosa, destemida! Sim, uma super-heroína
  85. Que seja importante para muitas pessoas
  86. Que divida seu conhecimento, sempre
  87. Que se sinta feliz pelas conquista dos outros
  88. Que goste de aprender coisas novas
  89. Que faça trabalho voluntário
  90. Que tenha bons vizinhos
  91. Que se dê muito bem com a tecnologia
  92. Que tenha muitos livros em casa
  93. Que tenha um lugar preferido e agradável para ficar só
  94. Que sinta orgulho de quem ela é
  95. Que não tenha vergonha de fazer algo que a faz feliz, apenas porque receberá julgamentos alheios
  96. Que seja ótima companheira de dança
  97. Que nunca abandone uma pessoa que precisa dela
  98. Que tenha uma relação saudável e madura com o dinheiro
  99. Que ame a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesma.
  100. QUE SEJA FELIZ!!!







sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

A unidade, em Cristo, supera as Diferenças

A unidade  é pré-requisito para o sucesso das igrejas cristãs. Em qualquer lugar do mundo onde houver cristãos, ali se falará de unidade. A unidade, pressupõe amor, e o amor está presente em diversos tipos de relacionamento.Assim, todo relacionamento que se baseia no princípio cristão, estará baseado na unidade, amor e união.  Se nos referirmos ao relacionamento de Deus para com o homem, falaremos do amor Ágape - o amor divino, incondicional e com sacrifício. Quanto ao relacionamento entre irmãos e amigos, se trata do amor Philos - que envolve lealdade, igualdade e benefício mútuo. E por fim, ao falarmos de amor entre homem e mulher, nos referimos ao amor Eros - é um presente que Deus concedeu ao ser humano e pode ser vivido de forma sadia quando o homem e mulher integram e unificam corpo e alma, de acordo com a Bíblia.
Dessa maneira, vemos que o elo de união entre qualquer tipo de relacionamento é o amor. Isso  não é novidade, pois é um mandamento de Cristo: ame ao próximo como a si mesmo (Mt. 22, 37-39). E a partir dessa breve introdução sobre amor, convido-os a refletirem sobre união e unidade, embora pareçam sinônimos, podem nos ensinar sobre os desafios dos relacionamentos na Igreja.
A unidade é um princípio do trino Deus (Pai-Criador, Filho-Salvador e Espírito Santo-Consolador), os três são um e são indivisíveis, a unidade é a qualidade daquilo que não se divide e que é homogêneo, ou seja, igual. A união, porém, é a associação ou combinação de vários elementos, semelhantes ou diferentes, com o intuito de formar um conjunto. E para mim, essas duas palavras devem estar muito presentes nas nossas comunidades, mas devemos pensar nelas como processos distintos e necessários para uma igreja forte.
Para alcançarmos a unidade, a indivisibilidade e a identidade com o corpo de Cristo, devemos estar em união. Esses dois processos não são a mesma coisa e é importante que entendamos o que eles significam. Quando chegamos numa igreja, começamos a entender do amor de Cristo, do amor entre irmãos e da necessidade de andarmos juntos, estamos nos ajuntando com um povo. Num segundo momento, quando a identidade de Cristo é a nossa identidade, e temos o desejo de expandir o evangelho e alcançar um igreja militante e forte, aqui na Terra, estamos em unidade, ou seja, podemos estar muito bem em união com a Igreja, mas só estaremos em unidade quando a identidade de Cristo for a nossa identidade.
Por outro lado, a união não deve ser esquecida, ela não é menos importante, pois a união promove o ajuntamento de pessoas diferentes. Nós, muitas vezes, temos dificuldades em receber pessoas diferentes de nós na igreja: de diferentes regiões do país, de diferentes origens doutrinárias, de aparências diferentes, etc,
Pensemos: como ensinaremos a identidade de Cristo ao próximo, se não permitimos que ele se achegue a nós, através do ajuntamento? É mais fácil nos mantermos unidos com as pessoas que são muito parecidas conosco, quando não há divergência de pensamento, de modo de vida, de gosto, de hábitos e cultura. Contudo, somos chamados a proclamar o Evangelho para todas as culturas (Mc. 16,15).
Para pensarmos numa união que se tornou unidade, mesmo com diferenças, acredito que a história de Rute e Noemi seja excelente! Noemi era Judia, assim como seu marido Elimeleque e seus filhos Malom e Quiliom. Houve fome em Israel e eles se mudaram para Moabe. Tanto o marido de Noemi, quanto os filhos, morrem. Noemi, então, despede suas noras, pois ela não tinha como mantê-las, e resolve voltar para Israel, pois soubera que a fome havia cessado.
Orfa retorna para seus pais, mas Rute decide permanecer com Noemi: “Então levantaram a sua voz, e tornaram a chorar; e Orfa beijou a sua sogra, porém Rute se apegou a ela. Por isso disse Noemi: Eis que voltou tua cunhada ao seu povo e aos seus deuses; volta tu também após tua cunhada. Disse, porém, Rute: Não me instes para que te abandone, e deixe de seguir-te; porque aonde quer que tu fores irei eu, e onde quer que pousares, ali pousarei eu; o teu povo é o meu povo, o teu Deus é o meu Deus;” (Rute 1, 14-16).
Sempre tratamos esse texto como exemplo de amizade (Amor Philos) e união, mas não paramos para pensar o processo que ambas passaram até chegar nesse nível de relacionamento e devoção a Deus, Rute e Noemi eram:


  1. Nora e sogra - às vezes existem algumas falácias que introduzem a intriga, essa é uma delas. Que nora e sogra não devem se dar bem!
  2. De povos diferentes
  3. Culturas muito diferentes
  4. Religiões diferentes
  5. Não tinham nada a oferecer uma à outra: ambas eram viúvas e, portanto, não tinham como se manter.


Elas, portanto,  nos ensinam sobre união na divergência e na dificuldade.

Elas se mantiveram unidas e, através do exemplo de Noemi, Rute alcançou a unidade em Deus: “ Seu Deus é o meu Deus”.
Com certeza em algum momento uma delas teve que ceder. Ao ler essa história sempre me pergunto: Como Noemi deu exemplo para a Rute a ponto dela abrir mão do seu povo e de sua religião? Através da imposição ou do amor? Como Noemi conseguiu conquistar a fidelidade de Rute? Essa é a característica do Evangelho: as pessoas se unem a nós e, a partir do nosso cuidado, amor e exemplo, adquirem a identidade e indivisibilidade em Cristo!
Devemos enxergar a igreja como uma ciranda em que as mãos estãos firmes para não deixar a roda desandar,mas as mãos não estão fixas, para que deixemos sempre alguém entrar. As mãos devem estar unidas pelo amor e pelo serviço e isso, não é compatível com a rigidez. A rigidez na igreja pode afastar novas pessoas desse sentimento de Unidade, pois a rigidez pode não saber lidar com as diferenças. Que Deus nos abençoe!

sábado, 4 de fevereiro de 2017

Corretor ortográfico

Eu: (mandando um Wilson Simonal) "Eu era neném, não tinha talco, mamãe passou açúcar nimim..."
Bê: Não é "nimim" é " em mim...", mamãe!

Ninoca



Pausa para babar os fiotes com a mesma roupitcha!

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

Diálogos com o Bê - Vida de Super-Herói

Além de problematizar a fé Cristã, esse Blog tem servido como espaço de compartilhar as experiências diárias da minha vida de mãe, esposa, filha, estudante, profissional, enfim, de todas as áreas da minha vida. Assim, decidi que vou compartilhar com os leitores os diálogos muitos engraçados e, às vezes, muito sérios, que levo com o Bê.  Para iniciar a série:

Vida de Super- Herói 



Bernardo: Eu sou o super homem.
Eu: E a Nina?
Bernardo: É a super homa!




A ideia original é desse Blog aqui



quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

Um Ano de Sim, Genuflexos!

Em 7 de novembro de 2016  o Sim, Genuflexos! fez um ano, não pude escrever um texto comemorativo, não fiz um  balanço de tudo que pensei e escrevi e também que pensei e não escrevi. Eu estava no Hospital das Clínicas esperando Nina, que nasceu no dia 10 de novembro: linda, saudável e trouxe com ela a esperança de que as mulheres, que nascerão, serão mais livres e respeitadas que nós. Minha filha nasceu nos anos 10 do século 21, eu, nos anos 80 do século 20. São 30 anos entre nós e eu desejo que muito do que vivi na infância e juventude não se repita com ela: bullyng pela cor de pele e cabelo, restrições por ser menina e o assédio que começa, ainda, na infância. Que seu mundo seja colorido e não apenas cor-de-rosa, que ela sonhe em ser astronauta, engenheira, bombeira e não apenas brinque de bonecas. Que possa dividir com seu companheiro os afazeres domésticos, que possa andar tarde na rua, que possa usar a roupa que quiser e ser respeitada por isso!
E nisso, vou pensando nesse um ano de Blog... quando este foi concebido - a partir de uma conversa num bar da Vila Madalena - seu objetivo era mostrar para as pessoas que ser cristão é ter compaixão daqueles que estão vulnerabilizados. Mulheres, homossexuais, transsexuais, negros, pobres, infância, etc. Trata-se de uma diversidade de pessoas e grupos sociais que estão a mercê do preconceito e dos maus tratos que, muitas vezes, é fomentado pela Igreja. Sem contar as religiões de outras matrizes, não judaico-cristãs, que sofrem com ataques morais e físicos.
Quando Nina nasceu, passei a refletir sobre a minha incapacidade de mudar essa realidade, de impedir que ela fosse assediada na Universidade, no trabalho e na rua. Talvez, eu não consiga deixar de herança para ela um mundo mais justo e mais amável, mais feliz! Contudo, ao rever cada postagem do Blog e cada texto ali escrito com suor, lágrimas, com a própria pele, vi que, sim, podemos fazer deste mundo um mundo melhor e mais agradável. Estamos resistindo! Estamos nos mexendo e mostrando que não aceitaremos esse mundo opressor e sem respeito! E essa é a semente da mudança, mudo eu para que o mundo mude para a Nina. Mudo eu, para que eu mude a educação do meu filho, Bê. Mudamos nós para que entendamos que não temos que aceitar a opressão, porque somos mulheres.
Assim, nesse um ano, denunciei a falta de empatia, respeito e amor ao próximo através do anúncio do amor de Cristo. Foram 60 textos (sim, esse é o sexagésimo texto) que originaram-se na reflexão de uma cristã no exercício de sua fé, cidadania e humanidade. Assim, almejando refletir sobre as diferentes realidades sociais e como nós, cristãos, podemos, e devemos, respeitar as diferenças. Qual o papel do cristão nesse mundo, como lidamos com o próximo a partir do mandamento de Cristo: “ama o próximo como a ti mesmo”.  Ou, ainda, como perceber que a Igreja tem tomado uma postura opressora e afastado as pessoas do amor de Deus. Sim, a igreja é parte do problema de uma sociedade de exclusão e opressão social, temos parte nisso e temos que agir!
Desejo que nos próximos anos, conforme Nina e Bernardo cresçam, possamos nos transformar para seguirmos transformando nossas realidades, transformar o nosso agir, o nosso falar,  o nosso pensar e, principalmente, a nossa forma de amar! Desejo que tenhamos sucesso nessa caminhada de Anúncio do amor de Cristo! Obrigada, Deus, por esse ano. Por Nina, por cada texto escrito, por cada reflexão e pelas mudanças que essa experiência tem despontado em mim. Soli Deo Gloria!


segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

Para Gestantes, mamães e futuras mamães

Tenho lido diversos textos sobre a “romantização” da maternidade e, também, ouço uma porção de gente criticando quem fala sobre as decepções da maternidade: “Não sabia que daria trabalho?”, “Você deve dar conta de uma criança, sim, você não quis ser mãe?”, etc. Por outro lado, vejo respostas como: “O bebê exige muito de mim”, “eu não sou suficientemente boa mãe”, “todos os bebês do mundo são ótimos, menos o meu”, “as mães de redes sociais são perfeitas”…
Pois bem, vamos lá. A maternidade tem um lado individual de construção e descoberta. Nós, mães, e também os pais, vamos aprender e descobrir uma relação com o nossos filhos (e, acredite, com cada filho é uma nova descoberta e uma nova relação). Há uma cobrança por “dar conta”, sempre há quem fale que vamos ficar 4 ou 6 meses em casa “de boa”, há quem ache que a licença maternidade é privilégio e há quem (como eu) ache que investir na licença maternidade é evitar muitos problemas na primeira infância,  pois crianças bem cuidadas - nos cuidados físicos e afetivos -  necessitam  menos de intervenções médicas, psicológicas, dentre outras.
Nesse mundo chamado maternidade, existem 4 etapas que podem, ou não, acontecer ao mesmo tempo. Tratam-se da 1.Expectativa da maternidade; 2.Dificuldades da realidade; 3.Cobranças e 4.Medos. Quando um casal descobre as duas listras no palitinho do exame da gravidez, surge uma porção de expectativas e medos, somada a esses sentimentos, vem a cobrança de todas as pessoas que já passaram pela maternidade – ou aquelas que assistem muita TV.
Meu conselho é: respire e olhe para si. Você tem bem aí todas as respostas que precisa: se está muito cansada, sabe que precisa de ajuda; se está muito estressada, sabe que precisa ficar só; se está muito animada, precisa passear e assim por diante. Ninguém é igual a ninguém, as pessoas dividirão suas experiências com você, escute-as respeitosamente, mas não se sinta obrigada a ser igual a ninguém. Procure um profissional que te deixe segura e a vontade e, sempre, peça a orientação do obstetra ou do pediatra.
A expectativa da maternidade gera uma ansiedade sem fim, adianto, seu filho será muito mais lindo do que você imagina e ele virá acompanhado de difíceis desafios – ainda não há manual para bebês. Pensamentos como: “não vou dormir”, “não vou dar conta”, “não vou saber educar” atrapalharão seu sono e, sim, você terá dúvidas, mas tudo bem, todos têm (todos, mesmo!). Aliada a essa expectativa, vêm as cobranças: “não pode comer isso, porque faz mal ao bebê”, “nunca mais sua vida será a mesma”, “você vai deixar seu filho no berçário?”, “Nossa, você foi viajar grávida, desse jeito?”, “Na minha época...”, etc. Elas virão, e não serão suaves, o que dificultará muito a etapa que chamo de expectativa da maternidade, pois te deixarão mais ansiosa e mais insegura. Respire de novo.
Essas cobranças fazem a maternidade parecer mais difícil e qualquer deslize faz a mulher parecer a pior mãe do mundo. Pausa. Respire. Todas nós já fomos, ou seremos algum dia, a pior mãe do mundo, porque a perfeição é impossível. O bebê vai cair, vai assar, vai ter cólica (e te garanto, não foi por causa do refrigerante que tomou). Não existe dúvida boba, não existe medo desnecessário, existe uma mãe em construção. Então, procure informação e inspiração. Sua mãe e suas avós serão sua inspiração para a maternidade, pode ser, também, uma irmã ou uma tia próxima. Pergunte para elas o que as deixava com medo, você verá o quão insegura aquela mãe maravilhosa foi.  
Faça amigas que estão na mesma etapa que você, grávidas, lactantes e mães de crianças maiores. Mães juntas ficam mais seguras, pois só uma grávida sabe o que a outra passa, ou não, mas a empatia é um sentimento presente entre nós, mães. Eu defendo que devemos nos ajudar, e não competir, pois você será a pior mãe do mundo para alguém. Então, relaxe, abra um sorrisão para a mãe do lado e riam dos medos, chorem com os problemas, troquem os bebês de colo, acariciem a barriga da amiga. Ah, como isso é bom!
Quando a gestação passar e o bebê chegar, começa a etapa da dificuldade da realidade. Se eu pudesse dar algumas dicas para você, seriam: Procure o pediatra; se informe; envolva o pai em todas as atividades - você não tem que dar conta de tudo sozinha; aceite ajuda, não tente ser uma supermãe, ninguém é; dê limites, fale o que te incomoda para as pessoas, não sofra calada.
A maternidade é maravilhosa, mas também dificultosa. Não ache que tem que passar por tudo sozinha, porque escolheu ser mãe. Escute as pessoas as quais você confia e sabe que querem o seu bem. Medite nas passagens bíblicas de mães maravilhosas, elas nos inspiram a sermos fortes e tementes a Deus. A Bíblia nos foi dada para conhecermos a Deus (e seu amor) e também para nos inspirar na nossa humanidade, pois nela lemos histórias de muitas mulheres e mães maravilhosas que nos mostram força! Maria viajou a beira de dar luz, Débora enfrentou um exército por causa dos filhos de Israel, Ana nos mostra como devemos educar nossos filhos, Sara nos mostra que idade não é pressuposto para ser uma boa mãe, Noemi nos mostra que a vida nos dá mais filhos do que os filhos que parimos, e daí por diante…
Essa ansiedade gerada no puerpério pode, também, desencadear algumas doenças, e isso não é demérito. Precisamos falar disso, principalmente das doenças mentais que podem ocorrer no pós-parto. É comum a mulher ter uma melancolia pós-parto, choro fácil, tristeza ou irritação, mas (principalmente para os companheiros e parentes da puérpera) é bom observar sintomas de depressão pós-parto que todo esse ambiente de medo pode causar.  (Veja quadro anexo com sintomas da depressão pós-parto). Para evitar aborrecimentos desnecessários, seguem algumas sugestões para aqueles que convivem com a recém-mãe.
Para amigos e parentes: não compare os bebês; não questione as decisões dos pais; não dê um conselho que possa confundir as mães e não compare o puerpério de mulheres diferentes. Seja compreensivo e dê atenção para as queixas, não desvalorize medos e ansiedades de uma mãe, JAMAIS fale que o leite da mãe é fraco, isso traz um sentimento de incompetência que você nem pode imaginar (o pediatra verificará o desenvolvimento do bebê e indicará a necessidade de complemento). Bebês choram e ninguém sabe o porquê, ainda mais quando são pequenos. Se não estão sujos e estão alimentados, o método de consolo será na tentativa e erro. Pode ter certeza que a mãe está mais incomodada com o choro do que você. Assim, não pegue o bebê sem a mãe pedir e NÃO fale que a mãe não sabe acalmar o bebê. Só dê palpite se solicitado. Seguindo essas dicas, garanto que podemos contribuir mais com a nova mãe e evitar ansiedade desnecessária.
Para os pais: você não é um ajudante! Você é pai, e como tal deve fazer parte dos cuidados e da educação. Principalmente da educação cristã e espiritual que muitos pais têm deixado apenas nas mãos das mães. Levar para EBD, participar das atividades do Dpto. Infantil, etc. Esteja disposto para trocar fraldas, dar banho e acalentar o bebê. Lembre-se que esse momento é um momento que, como qualquer outro, deve ser vivido e, porque não, enfrentado em família!
Por fim, não há receita pronta. A nova mãe terá que descobrir meios de criar uma rotina de cuidados, de atividades e de resolução dos conflitos. Uma coisa é certa, tudo o que você fez, foi feito com as ferramentas que tinha em mãos naquele momento! Com certeza, foi feito o melhor! Respire, novamente, pois de todos os maus momentos da maternidade, dúvidas, choros e desesperos que passou, você sobreviveu a todos. Você fez o melhor, venceu todos os desafios da maternidade impostos a você. Deus nos abençoe!


No final, tudo fica bem. Ou não. 


ATENÇÃO PARA A DEPRESSÃO PÓS-PARTO!

Sinais de depressão pós-parto (se percebido qualquer um desses sintomas, procure o obstetra ou um profissional da saúde)

1.    Estado de ânimo depressivo a maior parte do dia
2.    Notável diminuição de interesse ou da capacidade para encontrar prazer em todas ou quase todas as atividades, na maior parte do dia
3.    Notável diminuição ou aumento do apetite, resultando em uma perda ou aumento de peso significativos e não intencionais. Insônia ou hipersonia.
4.    Agitação ou lentidão psicomotora.
5.    Fadiga ou falta de energia, na maior parte do dia.
6.    Sentimentos de inutilidade ou de culpa inapropriados.
7.    Diminuição da capacidade de pensar ou concentrar-se
8.    Pensamentos recorrentes de morte ou de suicídio (com ou sem um plano).
Fonte: Manual Prático de aleitamento materno, dr. Carlos González. Editoratimo. 2015.